Henrique Abel

O Despertar da Força resgata a magia da trilogia original de Star Wars

Demorou, mas o Episódio VII está entre nós. Hora de recebê-lo de braços abertos.
17 de Dezembro de 2015 13:09
Cresci, nos anos 80, sendo um fã inveterado de Star Wars. Amava profundamente os três filmes da série que existiam até então. Eu não tinha, naquela época, expectativas de algum dia ver continuações da trilogia original, até porque o arco narrativo iniciado em Guerra nas Estrelas (1977) foi devidamente concluído em O Retorno de Jedi (1983).

Star Wars.Mas, ali pela metade dos anos 90, começou uma boataria estranha, no sentido de que George Lucas produziria uma nova trilogia Star Wars. O boato acabou sendo confirmado. Fiquei eufórico! Uau, meu Deus, verei novamente Luke Skywalker em ação! E Han Solo! E a Princesa Leia! E ... toda essa expectativa durou pouco. Logo veio a chocante informação, um verdadeiro balde de água fria, de que os novos filmes da série Star Wars não teriam nem Luke, nem Leia, nem Han Solo. Apenas C3PO e R2D2. Por que?! - eu me perguntava! Simples: porque a nova trilogia seria ambientada antes dos eventos da trilogia original. Como todos nós sabemos, tudo isso deu origem aos filmes A Ameaça Fantasma (1999), O Ataque dos Clones (2002) e A Vingança dos Sith (2005).

Verdade seja dita: os filmes da segunda trilogia são legais. Ver a ascensão e queda de Anakin Skywalker, a Velha República, Obi-Wan Kenobi jovem, os Jedi no seu auge, tudo isso foi muito divertido. Mas todo fã de Star Wars está mais interessado no período exibido na trilogia original, ou seja, a Rebelião contra o Império e seus desdobramentos. E, apesar dos bons momentos da segunda trilogia, o sonho de um dia ver o Episódio VII permanecia. A pergunta se mantinha viva, lá no fundo das almas de todos os fãs, desde 1983: e aí, o que será que aconteceu naquela galáxia muito, muito distante depois dos eventos mostrados em O Retorno de Jedi?

E agora, finalmente, como um sonho louco que se materializa para além de qualquer expectativa possível, o Episódio VII está entre nós. Ele chegou. E eu assisti ele, na madrugada passada, na sessão de estreia aqui em Londres. Não se preocupe, não vou soltar nenhum “spoiler”. Só o que tenho a dizer é que o filme é muito, muito bom. Ele resgata aquele “feeling” da trilogia original, que simplesmente não estava presente nos filmes mais novos. Os personagens novos não apenas são cativantes e muito bem concebidos como maravilhosamente bem interpretados. O elenco não poderia ser melhor. E as novas composições do maestro John Williams são emocionantes.

Star Wars.O filme, como um todo, é imensamente choramingante – sobretudo para os fãs de longa data. É um filme perfeito? Não. Eu só usaria a palavra “perfeito”, em se tratando de Star Wars, para dois filmes da série: o original de 1977 e O Império Contra-Ataca (1980), frequentemente apontado como o melhor de todos (no que concordo integralmente). O Despertar da Força não é perfeito, mas eu diria que ele é sério candidato a terceiro melhor filme de toda a série, ficando atrás apenas desses dois medalhões supremos acima mencionados. Os fãs irão perceber que o novo filme é bastante derivativo em vários aspectos. Embora isso esteja sendo identificado como um motivo para crítica, por outro lado é preciso lembrar que, em se tratando de Star Wars, existe uma linha tênue entre ser “repetitivo” e explorar temas que se repetem de forma cíclica no universo da série. 
 
Existem dezenas de outras coisas que eu gostaria de dizer e observar sobre o filme, mas não seria possível fazer isso sem dar spoilers. Portanto, vai ter que ficar para outra oportunidade. Para encerrar, uma curiosidade sobre o cinema no qual vi a estreia de O Despertar da Força. Trata-se do Odeon da Leicester Square, aqui em Londres. Passei na frente do cinema no começo de setembro, olhei para ele e imediatamente fui tomado de um sentimento de certeza. Pensei “é aqui. É aqui que vou ver o novo Star Wars em dezembro”. 
 
Star Wars.Uma escolha aleatória? Acho que não. Acho que ouvi o chamado da Força. Ontem, poucas horas antes da minha sessão, foi realizada lá a premiére europeia do novo filme. Harrison Ford, Mark Hammil, Carrie Fisher e vários outros atores (além dos diretores J.J Abrams e George Lucas) estavam todos lá, no mesmo cinema, e viram o filme na mesma sala em que eu estive poucas horas depois. Bem que eu achei que a Força estava poderosa naquela sala, o que só deixou toda essa experiência ainda mais única e emocionante.

Demorou, mas o Episódio VII está entre nós. Hora de recebê-lo de braços abertos. Dica: se você é fã da série, leve um lenço. A gente nunca sabe quando pode “entrar um cisco no olho” no meio do filme, né? Que a Força esteja com você!

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